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sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

A Perspectiva História da Comunicação/Educação (Jean Cloutier)





O campo da comunicação/educação é considerado um dos desafios maiores do mundo contemporâneo.
Actualmente, como novo campo teórico, capaz de fundamentar práticas de formação de sujeitos conscientes, surge como uma tarefa complexa, que exige o reconhecimento dos meios de comunicação como um outro lugar do saber, actuando em comjunto com a escola e outras agentes de socialização.
O encontro comunicação/educação leva a um novo significado, exigindo, cada vez mais, a capacidade de o homem comunicador pensar de forma crítica e construtiva sobre a realidade que o rodeia de forma a conseguir seleccionar informação (disponível em número cada vez maior graças à tecnologia, Internet, por exemplo) e de inter-relacionar conhecimentos.


O desafio a que está sujeito prende-se com a interpretação do mundo em que vive, uma vez que as relações imagéticas estão carregadas da presença dos média. Trata-se de um mundo construído pelos meios de comunicação, que seleccionam o que devemos conhecer, os temas a serem pautados para discussão e, mais que isso, o ponto de vista a partir do qual vamos compreender esses temas. Cada vez mais se tornam educadores privilegiados, dividindo as funções antes destinadas à escola.
O campo da comunicação/educação é considerado um dos desafios maiores do mundo contemporâneo.
Actualmente, como novo campo teórico, capaz de fundamentar práticas de formação de sujeitos conscientes, surge como uma tarefa complexa, que exige o reconhecimento dos meios de comunicação como um outro lugar do saber, actuando em comjunto com a escola e outras agentes de socialização.
O encontro comunicação/educação leva a um novo significado, exigindo, cada vez mais, a capacidade de o homem comunicador pensar de forma crítica e construtiva sobre a realidade que o rodeia de forma a conseguir seleccionar informação (disponível em número cada vez maior graças à tecnologia, Internet, por exemplo) e de inter-relacionar conhecimentos.
O desafio a que está sujeito prende-se com a interpretação do mundo em que vive, uma vez que as relações imagéticas estão carregadas da presença dos média. Trata-se de um mundo construído pelos meios de comunicação, que seleccionam o que devemos conhecer, os temas a serem pautados para discussão e, mais que isso, o ponto de vista a partir do qual vamos compreender esses temas. Cada vez mais se tornam educadores privilegiados, dividindo as funções antes destinadas à escola.
As Novas Tecnologias surgiram para facilitar necessidades de ordem económica e do dia-a-dia do ser humano. O aparecimento da escrita, da imprensa, da rádio, da televisão, do computador surge porque o homem sentiu necessidade de realizar problemas do seu quotidiano, e não porque tinha uma necessidade cultural.
Entretanto, o Homem adaptou-as à concretização dos seus objectivos, de tal forma que actualmente é impensável passar sem elas.
O uso do computador e das redes informáticas globalizou-se e tornou-se imprescindível em alguns sectores da actividade humana (comercial, bancária e industrial). Actualmente não conseguimos conceber o ensino sem recorrermos ao uso das TIC e se a escola não preparar profissionais para o mercado de trabalho, deixa de ter sentido.



Para contextualizarmos melhor esta questão, é necessário compreender a evolução das Tecnologias de Informação e Comunicação ao longo de todo o processo de civilização humana; desde o “homem locus” ao “homem digital” e reflectirmos sobre o seu impacto na actualidade, no âmbito do acto educativo.





Segundo Jean Cloutier, a história da comunicação é evolutiva e cumulativa, visto que à medida que o tempo vai avançando, o ser humano vai criando novas linguagens que se vão sobrepondo a outras anteriormente existentes, aumentando a capacidade de comunicação do homem. Diz-nos ele que a história da comunicação se divide em quatro episódios que se sobrepõem, sendo que o primeiro episódio é a fase da exteriorização da comunicação interpessoal, recorrendo ao próprio corpo, graças aos gestos e à palavra, em que o homem é o próprio medium de comunicação.



É com este momento que nasce a cultura oral cujo primeiro registo se baseia na memória. Mais tarde, e ainda neste período surge a actividade iconográfica em que registos chegam até nós através de pinturas e gravuras da era do paleolítico.




Foi através desta actividade que se partiu para a escrita, onde os conhecimentos se transmitiram de pai para filho, do mais velho par ao mais novo, do patriarca para outros elementos do clã.
O segundo episódio que é a fase das linguagens de transposição, tais como o desenho e o esquema, o ritmo e a música. A escola só aparece neste episódio como organização e sistema. Surge então uma revolução com a utilização da escrita fonética, tornando-se assim possível perpetuar no tempo a comunicação, constituindo o muro das cavernas a primeira biblioteca.





Esta competência de registo (a escrita), tornou-se um conhecimento especializado com regras não acessíveis a todos, o que levou a uma formação de uma elite que dominavam os processos e que foram subindo na estrutura social, dominando-a e hierarquizando as suas estruturas. Desta forma, o ensino de pai para filho, de patriarca para o elemento mais jovem do clã, tornou-se em assuntos de especialistas, uma vez que estes privilégios foram organizados sob direcção de um poder político e autoridade religiosa que disputaram entre si a primazia e a responsabilidade na educação das elites de forma a perpetuar as mesmas, permanecendo durante muito tempo como uma forma de comunicação elitista.
O aparecimento da escrita permitiu uma configuração comunicativa radicalmente nova. A sua linguagem constitui-se mediante regras gramaticais, exigindo uma aprendizagem especial, um conhecimento especializado. Estabeleceu-se, assim, contrariamente à oralidade, uma dicotomia entre os que dominam ou não o seu exercício. É com base nesta desigualdade que Cloutier (1975) designa esta configuração comunicacional por comunicação de elite. No século XVIII intensificaram-se os esforços com vista à escolarização universal dos saberes básicos do saber ler, escrever e contar.Com o nascimento dos mass media, passa a existir, designada por Jean Cloutier, a comunicação de massa que representa o terceiro episódio da comunicação.
Embora a imprensa tenha nascido na China, é Gutemberg no século XV que dá início a este período dominado pelos mass media que se desenvolve com o iluminismo e a revolução francesa, mas atinge o apogeu na segunda metade do século XIX com o período da comercialização em massa de jornais a um preço reduzido e ao alcance de todos. As invenções do telégrafo eléctrico, por Samuel Morse em 1837 e do telefone por Graham Bell em 1876, consubstanciaram a mobilidade e a rapidez da comunicação envolvendo o mundo numa autêntica teia de informação.
O aparecimento dos media de amplificação marca a passagem para outra configuração comunicativa, a comunicação de massa. Passa-se de uma configuração em que o âmbito da comunicação estava circunscrito a um reduzido número de receptores para um âmbito extremamente elevado de receptores.
O segundo momento da comunicação de massas remete-nos para a "galáxia de Marconi", caracterizada pela emergência das telecomunicações e do mundo das imagens electrónicas, dando-lhe início a uma nova era comunicacional de espaços multidimensionais e omnipresentes. Com a invenção do transístor a rádio pode acompanhar-nos por todo o lado. Vence todas as distâncias, sejam de âmbito físico ou cultural, achando-se ao alcance dos indivíduos analfabetos.
A televisão é o último média da configuração comunicativa de massa. Parte da "força" deste media, capaz de influenciar e organizar os estilos de vida e hábitos comunitários (hora das refeições, de deitar e de levantar, de sair de casa, de conversar e conviver...), bem como condicionar culturalmente os cidadãos através da disseminação de ideias e modismos à escala planetária vem da nova configuração comunicativa de recepção - a mensagem televisiva invade a casa de qualquer pessoa, ocupando, por isso, um lugar estratégico do âmbito sócio-cultural na célula familiar.
Neste altura, a hegemonia da escola como fonte principal do saber é colocada em causa. Surge a denominada escola paralela caracterizada por aquilo a que alguns autores chamam currículo oculto em que os alunos aprendem com as suas vivências. Esta nova realidade pressupõe uma alteração no papel da escola tendo em conta os media. A educação pelos media, com os media e para os media, são novas dimensões que se juntam no acto educativo. A educação para os media consiste na própria discussão epistemológica dos media, cujo principal objectivo é tanto o de esclarecer as vantagens e desvantagens, como o de apurar o sentido crítico para a validade das mensagens que veiculam.
A invenção e a inovação dos meios impressos (livro e jornal) e tecnológicos (cinema, rádio e televisão) tem em comum a emergência de uma configuração de massa, a amplificação das mensagens para um público numeroso e heterogéneo, seja por via da sua multiplicação através da produção de cópias, seja por via da difusão espalhando-a instantaneamente por todo o lado. Entretanto, a evolução tecnológica iria propiciar o aparecimento de uma nova configuração comunicativa.



O quarto episódio comunicativo, segundo Jean Cloutier, é o da comunicação individual e decorre da possibilidade de ter acesso a mensagens sempre disponíveis e a capacidade de se exprimir sempre que quiser com os self media. Este episódio é, de uma maneira geral, simultâneo à comunicação de massas. Alguns dos media que fazem parte deste episódio são: a fotografia, os suportes e equipamentos de gravação de som e imagem, a reprografia, o computador e a Internet. A auto-educação é a principal função destes media. É aqui que também o papel do professor se altera, mas se revaloriza, deixando de ser um mero informador para ser um formador. Um novo paradigma educacional surge, onde o saber é um projecto em comunicação…
A chegada dos transístores, dos circuitos integrados e dos microprocessadores, para além de banalizarem os meios de comunicação de massa e assegurarem o seu triunfo, abrem uma nova configuração comunicativa. As possibilidades oferecidas pela tecnologia do registo e miniaturização do equipamento oferecem ao homem os media de expressão individual. Modifica-se, deste modo, não só o âmbito da recepção pela facilidade no acesso à informação, conservada e disponível nos mais variados suportes, como também o âmbito da emissão por permitirem a expressão individual em distintos discursos. Daí que Cloutier designe este novo episódio comunicativo por comunicação individual, pela possibilidade de se dispor duma série de meios tanto para emitir como para receber.
Na era da comunicação de massas uma série de meios cobre um vasto universo comunicativo, incidindo em diversas modalidades discursivas: visual, audio, scripto, audiovisual e multimédia.
O ENIAC (Electronic Numeral Integrator And Calculator), foi considerado o primeiro verdadeiro computador. O indivíduo deixa de ser um mero espectador para se converter em emissor e processador da informação.
A capacidade de interligação destes equipamentos entre si, dando origem às redes informáticas, permitiu a sua utilização colaborativa. Esta ampliação do uso individual marca a passagem para uma nova configuração comunicativa.
A utilização das tecnologias de comunicação, ocorrida nos últimos anos da década de 80, marcada fundamentalmente pelo aperfeiçoamento dos microprocessadores, pelo uso da fibra óptica e pela digitalização da informação, anuncia mudanças profundas, algumas já em curso, outras que se pronunciam.
A digitalização, já utilizada na informática mas alargada agora ao audiovisual e às telecomunicações, ao permitir tratar toda a informação como uma série de números, possibilita a compatibilidade entre os diferentes sistemas, quer sejam portadores de voz humana, textos, dados estatísticos, sons e imagens.
Em termos técnicos, estas evoluções anunciam o fim dos guetos tecnológicos e a constituição de uma rede comunicativa universal. A entrada progressiva da informática no mundo dos media abriu vias de aliança entre as telecomunicações, o audiovisual e o computador, iniciando o estabelecimento das tradicionais fronteiras entre sistemas. A disponibilização de serviços como o teletexto, videotexto, correio electrónico e videoconferência, são alguns dos exemplos desta política convergente.
Ao alcance da "ponta dos dedos" do "homo communicans" abre-se um mundo de informações vindas de lugares muito longínquos e por tradição fechados, como os grandes arquivos, ao mesmo tempo que lhe permite estar, sem se mover fisicamente, em diferentes lugares. Desta forma à multidimensionalidade do universo comunicativo junta-se a natureza ubiquística do indivíduo. Aqui se estabelece uma rede de conversação onde se trocam reclamações e compromissos, ofertas e promessas, aceitações e recusas, consultas e resoluções. Não transitam, portanto, simples informações, mas actos de comunicação onde o mundo privado da experiência pessoal daqueles que os praticam é projectado no interior do mundo interpessoal e grupal das interacções. Reside aqui a grande diferença entre o ecrã televisivo da era dos mass-media e o ecrã informático: enquanto a televisão traz o mundo público para dentro de casa, o ecrã informático, conectado em rede, leva o mundo interior de cada indivíduo para o espaço público.
A Internet que hoje conhecemos e que milhões de indivíduos já utilizam, é o exemplo da rede de base colaborativa.



Tendo em conta a apresentada Perspectiva Histórica da Comunicação/Educação segundo Jean Cloutier é fundamental considerarmos a comunicação como sendo um processo cumulativo, em que conhecimentos adquiridos anteriormente se vão anexar a novos. Outra questão a ter em conta e a qual não pudemos esquecer é que todos os contextos (desde o familiar, à escola, á auto-educação), são fundamentais. O ideal é os conseguirmos interligar de forma a ser um bom contributo para a formação pessoal e profissional dos alunos com que trabalhamos diariamente.





Bibliografia:

VAZ FREIXO, Manuel João - Teorias e Modelos de Comunicação. 1.ª Edição. Lisboa: Instituto Piaget, 2006. ISBN: 972-771-841-8


Netgrafia:

http://www.univ-ab.pt/~bidarra/hyperscapes/video-grafias-257.htm

http://recantodasletras.uol.com.br/ensaios/1421011

http://pt.wikipedia.org/wiki/Meios_de_comunica%C3%A7%C3%A3o

http://www.scribd.com/doc/4001889/Evolucao-historica-dos-meios-de-comunicacao

http://www.ipv.pt/forumedia/3/3_fi3.htm







2 comentários:

  1. Bruno,
    obrigado pelo seu trabalho, está muito completo!

    Ctos.
    PPM

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  2. Olá Bruno!
    Já estive a ler o teu trabalho e mais uma vez está muito bom.
    Parabéns
    Olga

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